quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Um olhar para a Saúde

Foto de Eunice Almeida
A Saúde é um direito humano universal e indispensável. Está consagrada na Constituição da República Portuguesa, que determina que “todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover”. 

Partilhamos hoje a última de três peças sobre os temas eleitos da sessão formativa da em Saúde, dinamizada pela Associação de Saúde e Solidariedade da Diáspora Cabo-verdiana (ASSD-CV) e acolhida pela Associação Cretcheu no dia 20 de novembro.
A Pele atua como barreira protetora contra agentes do meio ambiente como bactérias ou vírus, responde por funções essenciais como a regulação térmica ou as funções sensoriais, como o tato, pressão, frio, calor e dor. Tem ainda função excretora, pois através dela são eliminadas substâncias nocivas ao organismo.

Tipos de Pele e Saúde Cutânea foi o tema abordado por Margarida Anes. A evolução do Homo sapiens e a “distribuição das cores”, bem como do tipo e quantidade de cabelos, devido à migração humana a partir do continente África remeteu a todos para a origem da nossa espécie. A pele, enquanto maior órgão do nosso corpo, as funções que desempenha e a sua constituição mereceram uma revisão para os presentes, lembrando-nos da necessidade de a proteger, sem esquecer as unhas (escudo protetor da extremidade dos dedos) e os folículos pilosos -  o pelo e o cabelo (protetores do frio e radiação solar) - pela via das melhores práticas, como uma boa alimentação e hidratação, ‘greve’ ao sedentarismo, higienização adequada e uma exposição moderada à radiação solar, para se colher os benefícios da energia solar e salvaguardar-nos dos efeitos nefastos, como o envelhecimento e cancro da pele.
Pele, unhas e cabelo
Margarida Anes | Foto de Eunice Almeida
Sabemos bem que a radiação solar permite a existência de vida na Terra e tem efeitos no ser humano. O Sol é fonte de energia, exerce uma ação antidepressiva e estimula a produção da vitamina D, contribuindo para a manutenção de ossos fortes. Embora, por cá, em Portugal continental, estejamos numa época do ano em que escasseiam o número de horas em que o Sol se exibe e que dele bem precisamos, Margarida Anes recordou-nos do seu “lado nefasto”, como o envelhecimento e o cancro da pele, entre as doenças que podem afetar este órgão, se recebido em excesso, numa franca alusão à época de verão.
No que respeita às unhas, roê-las, está associado a fatores como o stress e ansiedade. Nelas se alojam uma variedade de vírus e bactérias. O ato implica uma propagação de microrganismos no sentido dos dedos para a boca, pelo que destacamos que o mesmo aumenta a possibilidade de formação de verrugas, uma de várias patologias a evitar. Quanto ao cabelo, é reconhecido que a sua queda e enfraquecimento afeta a autoestima e confiança de mulheres e homens, sendo o stress um dos fatores que mais contribuem para a sua perda, tais como alterações hormonais ou anemia. Está igualmente diagnosticado que uma queda anormal de cabelos pode estar associada à Covid-19, por exemplo.
ASSD-CV, Associação de Saúde e Solidariedade da Diáspora Cabo-verdiana
A Associação foi criada por um grupo de profissionais cabo-verdianos com diferentes especialidades e experiências na área da Saúde, residente e a exercer em Portugal, num momento em que já estava instalada a situação pandémica a nível global.
A ASSD-CV “tem como foco gerir a situação dos doentes evacuados de Cabo Verde e a situação dos imigrantes na área da saúde”, assume a oradora. Visa, diz-nos Margarida Anes, “a intermediação entre os profissionais de saúde da Diáspora Cabo-verdiana e os profissionais de saúde em Cabo Verde, com a intenção de apoiar os doentes evacuados”, mas entente que “há que gerir e organizar a médio e longo prazos os recursos existentes, de forma a Cabo Verde ser autossuficiente e não depender do Senegal, Portugal ou outros países” para o tratamento de certas patologias.
Em concreto, a ASSD-CV propõe-se conhecer quais os tratamentos a efetuar, quais as cirurgias a levar a cabo, e fazer deslocar “médicos e enfermeiros a Cabo Verde”, para intervenções locais, ou “recorrer às novas tecnologias”, para os casos que não solicitem intervenções fora do território cabo-verdiano e permitam um diagnóstico partilhado à distância.
Sem deixar de atestar um acompanhamento social dirigido aos doentes evacuados por associações ligadas à Diáspora Cabo-verdiana, nomeadamente em Portugal, chamou a atenção para a importância da literacia em saúde (compreender o que os médicos transmitem) e de se ultrapassar barreiras linguísticas, pois “quanto melhor o doente estiver informado e melhor comunicar, melhor colaborará com o tratamento”. Reforçou, por isso, o lado clínico da questão: “trabalhamos nos hospitais e centros de saúde, ao sabermos que exames e cirurgias vêm cá fazer podemos certificar que não se desloquem para tratamentos externos, quando os mesmos poderão ser realizados em Cabo Verde”. 
Margarida Anes, nascida em Timor-Leste e filha de pais cabo-verdianos, trabalha em Setúbal enquanto dermatologista, onde o seu destino profissional se cruzou com o das restantes oradoras.

Filomena Paris

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