| Foto de Eunice Almeida |
A Saúde é um direito humano universal e indispensável. Está consagrada na Constituição da República Portuguesa, que determina que “todos têm direito à proteção da saúde e o dever de a defender e promover”.
Partilhamos hoje a segunda de três peças sobre os temas eleitos da sessão formativa em Saúde, dinamizada pela Associação de Saúde e Solidariedade da Diáspora Cabo-verdiana (ASSD-CV) e acolhida pela Associação Cretcheu no dia 20 de novembro.
As doenças crónicas constituem as principais causas de morte e incapacidade no mundo, sendo na sua grande maioria das doenças quase ou completamente assintomática.
Prevenção das Principais Doenças foi o ponto do painel por conta de Marta Nazha. Como não poderia deixar de ser, a especialista abordou as doenças crónicas, aquelas que se prolongam no tempo e são de progressão lenta. Estas podem ser congénitas, com as quais já se nasce ou se desenvolvem nos primeiros anos de vida, e não congénitas.
A conversa recaiu sobre as doenças crónicas não congénitas, que muitas das vezes apresentam um processo de cura dilatado no tempo ou inexistente, tornando-se assim uma condição permanente. De entre elas, duas grandes patologias, as doenças cardiovasculares e a diabetes, por atingirem um maior número de pessoas em Portugal e no mundo.
“São doenças complexas”, confirma Marta Nazha, pelo facto de as pessoas não apresentarem sintomas, “têm vários fatores de risco”, impondo-se, por isso, o controlo da hipertensão, através de intervenções que conduza à redução da pressão arterial, e a adoção de uma dieta saudável.
Existem diferentes níveis de prevenção. Destacamos a primordial - evitar estilos de vida que aumentem o risco de doença (má alimentação, tabagismo, abuso de álcool e défice de atividade física), a primária - combater os fatores de riscos (vacinação e educação para a saúde, por exemplo), a secundária - detetar a doença antes dos sintomas (rastreios) e a terciária - tratar/controlar a doença para se evitar complicações.
As complicações
As doenças cardiovasculares afetam o sistema circulatório, como a doença das artérias coronárias (coração), a doença das artérias do cérebro (a mais grave é o AVC, acidente vascular cerebral) e a doença arterial periférica (má circulação do sangue nas pernas).
Nos diferentes Tipos de Diabetes, ao contrário do Tipo 1 (pâncreas não produz insulina), a do Tipo 2 (pâncreas produz insulina, mas não a utiliza bem), a mais comum, tem uma forte relação com o estilo de vida, sendo a obesidade ou excesso de peso um fator de risco, atingindo já bastantes adolescentes. A diabetes pode reduzir a qualidade e número de anos de vida ao seu portador, pelas complicações que pode infligir ao organismo, como a cegueira, insuficiência renal, amputação não traumática e a doença cardiovascular. Marta Nazha chamou ainda atenção para o facto de "fumar aumentar a chance de desenvolver a diabetes do Tipo 2", hábito normalmente conducente a doenças cardíacas e respiratórias.
A par das doenças cérebro-cardiovasculares e a diabetes, as doenças oncológicas e respiratórias crónicas são responsáveis por um elevado número de mortes prematuras a nível global, pelo que a prevenção se apresenta como palavra de ordem.
ASSD-CV, Associação de Saúde e Solidariedade da Diáspora Cabo-verdiana
A Associação foi criada por um grupo de profissionais cabo-verdianos com diferentes especialidades e experiências na área da Saúde, residente e a exercer em Portugal, num momento em que já estava instalada a situação pandémica a nível global.
A ASSD-CV "tem como foco gerir a situação dos doentes evacuados de Cabo Verde e a situação dos imigrantes na área da saúde”, assume Margarida Anes, outra profissional de saúde presente.
Marta Nazha é italiana, reside em Portugal já há alguns anos e trabalha em Setúbal enquanto especialista em medicina geral e familiar, onde o seu destino profissional se cruzou com o das restantes oradoras.
Filomena Paris
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